quarta-feira, julho 19, 2017

COMO DESVALORIZAR UMA FUNÇÃO



A solução encontrada para a segurança no Museu Nacional de Arte Antiga, com a contratação externa de cinco elementos para a vigilância das suas salas e colecções, foi uma medida in extremis, que nunca deveria ter acontecido, e que não se deverá repetir em instituições desta natureza.

Um vigilante de museu não pode ser equiparado a um provérbio como “atar e pôr ao fumeiro, como o chouriço da preta”, a menos que se esteja a brincar aos museus.

Existem exigências para a função, é certo, mas a formação será sempre um requisito essencial que não se pode descurar. O conhecimento do edifício e de procedimentos em caso de emergência, o conhecimento das colecções e a sua localização, as noções de técnicas de atendimento ao público, conhecimentos sobre outras instituições do mesmo tipo existentes nas redondezas (ou na mesma cidade) e seus horários, etc, são apenas algumas das ferramentas que é necessário dar a estes profissionais para poderem desempenhar as suas funções com a devida eficiência.

Um vigilante de museus não é uma estátua, ou um segurança que se limita a proibir procedimentos incorrectos do público, mas sim alguém que possa ajudar os visitantes a fruir devidamente tudo o que estas instituições têm para oferecer a quem as procura, assim exista a vontade de os formar como deve ser.



segunda-feira, julho 17, 2017

DEFORMAÇÃO PROFISSIONAL

É curioso o facto dos meus amigos julgarem que eu não desligo das minhas actividades, mas isso não é verdade, e como tenho interesses muito diversos, nem sempre falo sobre Património, arte, museus, história e assuntos afins, ainda que as influências venham daí.

Hoje partilho uma foto manipulada (cujo autor está identificado) que me atraiu a atenção, e espero que gostem dela, como eu gostei.

By Norrit

sábado, julho 15, 2017

PONTOS DE VISTA

Há quem ache que aceitar um convite  de uma empresa para viajar e assistir a um jogo de futebol, nada tem de condenável, e que é um absurdo que alguém classifique isso como um crime.

Ferro Rodrigues tem direito a ter uma opinião pessoal, mas acontece que é o presidente da Assembleia da República, e isso não é indiferente, como indiferente não era o caso de a oferta de viagens tivesse sido feita por uma empresa que estava em litígio com o Estado por causa do fisco.

Creio que tudo seria muito mais pacífico se fosse um infeliz funcionário do fisco a aceitar o mesmo convite, porque ele sim, estaria a obter uma vantagem indevida no desempenho das suas funções...

2.412

quinta-feira, julho 13, 2017

MUSEUS, VISITANTES E COMPORTAMENTOS



Há pouco mais de uma semana fui surpreendido pela opinião de um amigo, que dizia que os turistas nos museus se comportavam cordatamente e que a presença de vigilantes era quase desnecessária, podendo ser substituída por câmaras e algum cuidado na exposição das peças.

Fiquei atordoado, até porque ele é um frequentador de museus e monumentos, e resolvi indagar opiniões junto de outros amigos que também são viajados e conhecem bastantes monumentos.

Depois de ouvir as suas opiniões, concordantes quanto ao comportamento dos turistas, resolvi questionar estes amigos com a sua percepção sobre comportamentos de risco.

A abordagem foi feita a meu jeito, e as perguntas feitas foram por eles consideradas estranhas:

- Se as mochilas deviam ser proibidas de entrar, mesmo as de pequena dimensão.
- Se os carrinhos de bebé e as malas trolley deviam ficar cá fora.
- Se os selfie sticks deviam ser proibidos.
- Qual o procedimento aceitável a ter com visitantes que tocam em pinturas, objectos, ou
ultrapassam barreiras delimitadoras.

Foi curioso ver as suas respostas, porque acharam (todos) que as mochilas, os carrinhos de bebé, as malas e os selfie sticks eram inofensivos, e que as pessoas pura e simplesmente não mexem nos objectos expostos nem desrespeitam as barreiras existentes, e que os comportamentos desviantes devem ser tão raros que as probabilidades de acontecerem são praticamente nulas. Quanto às transgressões, quase inexistentes, basta uma repreensão (afinal sempre faz falta o vigilante).

Fiquei ciente que quem aprecia museus o faz verdadeiramente, e aproveita as suas visitas para desfrutar do que lhe é oferecido, sem se deter sobre o que se passa ao seu lado, o que compreendo perfeitamente. O mesmo fazem uns quantos senhores com responsabilidades nestes equipamentos culturais, que não cuidam de expor as peças de modo a estarem o mais protegidas que seja possível, dos comportamentos descuidados ou inconscientes.

Infelizmente a realidade é outra, os comportamentos irregulares são muitos, a exposição das peças é muitas vezes descuidada e torna-se um convite para a asneira, e é impossível ter um vigilante atrás de cada visitante. Os visitantes são como os transeuntes de uma qualquer cidade, e têm em geral bons comportamentos, mas as excepções existem, e todos gostavam de ter um polícia por perto quando os maus comportamentos acontecem…


terça-feira, julho 11, 2017

O PADRE INVENTOR



 A sua primeira proeza terá sido a adução de água para o seminário onde estudou antes de vir para Portugal, onde ficou em casa do Marquês de Fontes, que se sentiu impressionado pela inteligência do jovem, então com 16 anos.

De regresso ao Brasil em 1702, onde foi ordenado, viria alguns anos depois a requerer a patente do seu invento para fazer subir a água, que veio a ser reconhecida por D. João V, sendo essa a primeira patente conseguida por um brasileiro.

Existem registos de que o padre Bartolomeu de Gusmão terá ido à Bolívia em 1705, e conta-se que terá sido lá que conheceu certos “segredos” do Império Inca, quem sabe se algo relativo à sua descoberta seguinte, o aeróstato.

Chegado a Lisboa em 1708, o padre inventor vê ser-lhe concedida pelo rei D. João V uma pensão para desenvolver um projecto secreto.

Em Agosto de 1709, na Sala dos Embaixadores da Casa da Índia, Bartolomeu de Gusmão faz voar um balão de ar aquecido até ao tecto, na presença do rei, da rainha e do núncio apostólico, futuro Papa Inocêncio XIII.

Depois de viajar pela Europa o padre Bartolomeu de Gusmão viria a ser vítima da Inquisição…


Bartolomeu Lourenço de Gusmão, um sacerdote cientista e inventor, nascido no Brasil em 1685, ficou famoso por ter inventado o primeiro aeróstato.



domingo, julho 09, 2017

PELA VOLTA DO DUCHE - SINTRA

De passagem por aqui ao final da tarde de sábado.

Rever uma paisagem bem conhecida...

Até o nevoeiro característico andava por lá.

sexta-feira, julho 07, 2017

POR FAVOR, ENTENDAM-SE

Os horários dos serviços, sejam eles quais forem, devem ser adequados às exigências e devem também ser claros, pelo menos na comunicação das instituições.

O Palácio Nacional de Mafra é um exemplo elucidativo do que não deve acontecer, na matéria de comunicação e de horários.

Deixo-vos com as imagens de dois (?) sítios oficiais do palácio, o primeiro alojado na sítio da Direcção Geral do Património Cultural, que é a tutela do monumento, e o segundo que pelos vistos é o sítio do próprio palácio.

Como se pode ver na imagem acima (sítio da DGPC), o tempo médio da visita é de uma hora, e a última entrada é às 16h 30, o que dá aos visitantes só cerca de 45 minutos de tempo para a visita, pois ainda é necessário fazer todo o caminho de volta até à saída, para se cumprir o horário de fecho, às 17h30.
 
No sítio indicado na página da DGPC, penso que pertencente ao palácio, a indicação da última entrada atira para as 16.45h, mantendo-se o tempo médio de visita em 1 hora, o que significa que o visitante terá só 1/2 hora para realizar a sua visita, o que significa metade do tempo médio da mesma.

Como o texto referente ao horário do palácio está desformatado e pouco legível, penso que deve ser resultado de uma brincadeira do filho (criança) do administrador do sítio, ou então estamos perante um administrador muito incompetente, não só pelo resultado (risível) mas também pela confusão criada aos visitantes, e as dificuldades que os funcionários irão enfrentar por causa desta alteração incompreensível.