terça-feira, novembro 21, 2017

EXPOSIÇÃO EM MAFRA

Está patente no Palácio Nacional de Mafra a Exposição "Do Tratado à Obra" onde além de outras coisas se chama a atenção para a sua arquitectura e as suas influências, e para além do já conhecido João Frederico Ludovice, que trabalhou ao serviço do rei D. João V, existem referências a Bernini e Borromini, entre outros, ligados ao barroco italiano.

Vale a pena visitar.
Cartaz da exposição


sábado, novembro 18, 2017

CULTURA E DINHEIRO



A Cultura tem uma relação muito curiosa com o dinheiro, por um lado quem tem mais dinheiro tem mais acesso à dita, por outro lado ela é sempre o parente pobre dos Orçamentos de Estado, porque é onde é menos impopular cortar verbas.

O turismo é a actividade que mais tem crescido e o que mais atrai os estrangeiros a Portugal é o seu povo, a sua Cultura e o seu Património. Creio que não passa pela cabeça de nenhum turista vir a Portugal para ir aos centros comerciais, para visitar as lojas finas (existentes em todos os países), para ver a Autoeuropa, para apreciar a nossa banca, ou para assistir aos trabalhos do nosso Parlamento.

O que o turista quer mesmo é, visitar os nossos monumentos, ver as nossas paisagens naturais, apreciar a nossa gastronomia mais genuína, ser recebido por um povo afável, e fazer tudo isso em segurança.

O país necessita de acompanhar o progresso tecnológico, é evidente, mas ao mesmo tempo tem que proteger a sua Cultura, que é o que nos distingue dos outros povos.



quinta-feira, novembro 16, 2017

PAGAR EM IGREJAS SOB TUTELA DO ESTADO?



Depois de constar que em França o Estado está a ponderar cobrar entradas em Igrejas, Sés e Basílicas para ajudar à sua manutenção, surgiram em Portugal algumas perguntas e muitas opiniões sobre o tema, que obviamente é controverso.

Numa altura em que o turismo está em alta, até pode parecer fácil discutir o assunto, mas as opiniões são diversas e uma decisão seria sempre muito contestável, contudo existem problemas que exigem uma solução a curto ou médio prazo.

A unanimidade existe quanto aos horários de culto, em que todos concordam que a entrada deva ser gratuita, mas depois tudo o resto não é consensual.

O problema coloca-se, evidentemente, em edifícios classificados onde se pratica o culto, mas a que o Estado é chamado ao pagamento de obras de conservação ou de restauro, por incapacidade da Igreja para o fazer.

Em muitos destes locais de culto realizam-se casamentos, baptizados, e outros serviços religiosos para além do culto habitual, e as receitas desses serviços são pagas directamente à Igreja, como se sabe. Noutros locais de culto, situados dentro de monumentos nacionais (Batalha, Jerónimos, Mafra, etc.) passa-se o mesmo, e fora dos horários ocupados por essas cerimónias, existe uma enorme pressão por parte dos visitantes (a maioria estrangeiros) que aproveitam a gratuitidade, como é óbvio, e ainda obrigam os monumentos a ter pessoal escalado para a sua vigilância.

A manutenção de edifícios (monumentais) classificados é muito dispendiosa, e o Estado (todos nós) necessita de (muito) dinheiro para as conservar, e esse dinheiro só pode vir de duas proveniências: (mais) impostos e/ou o pagamento das entradas, não há como escapar a esta inevitabilidade.


"AJUDE NO RESTAURO"

terça-feira, novembro 14, 2017

UM MUSEU ESQUECIDO NO TEMPO



O Museu de Escultura Comparada foi criado por decreto em 1919, e depois de muitas peripécias, bloqueios e guerrinhas, acabou por abrir no Palácio Nacional de Mafra em data algo discutível, mas que terá sido oficializada em 27 de Fevereiro de 1964, altura em que quatro membros do governo, entre eles o Eng.º Arantes e Oliveira que muito apoiou o conservador Ayres de Carvalho nesta batalha pela existência deste museu.

O tempo passa depressa e o museu fechou pouco depois, ficando as peças praticamente abandonadas em salas fechadas ao público e sem a manutenção devida.

Algumas peças estiveram, em tempos, em exposição no percurso do palácio, mas nos últimos anos e com a adopção de um novo percurso de visita, voltaram a ficar longe dos olhar do público.

Nota: Estamos a poucos dias do Tricentenário do lançamento da 1ª pedra do Edifício de Mafra

Reprodução do Túmulo de D. Fernando
Reprodução do coche dos Oceanos

domingo, novembro 12, 2017

TRAPALHADAS NA CULTURA



Tudo o que envolve a política e os políticos que temos, e não é só na Cultura, acaba sempre num atira culpas para lá e para cá, em que todos se dizem isentos de culpa, ou todos reclamam a paternidade dos sucessos.

O jantar no Panteão Nacional que tanto brado causou é apenas um dos exemplos, talvez o mais recente. O anterior governo fez um regulamento e autorizou outros jantares no mesmo local, e este também viu os responsáveis por si nomeados, autorizarem este jantar, que afinal era uma actividade “indigna” daquele espaço, segundo António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa.

Eu considero que autorizar este ( e outros) jantares naquele espaço foi um disparate imenso, como acho um disparate fazerem-se jantares à luz de velas em espaços monumentais, até com tectos pintados, autorizar raves num museu nacional, ou permitir aparelhagens sonoras em altos berros para se fazer um aquecimento de atletas ao som da zumba, mesmo à porta duma Basílica, ou sessões de fogo de artifício num monumento nacional.

A minha opinião talvez não seja muito importante, mas a de um director de um museu que se vê desautorizado pelo 1º ministro, e não quer apresentar a demissão, parecendo mostrar um grande apego ao lugar, muito para além do razoável, incomoda e é notícia.



quarta-feira, novembro 08, 2017

MUSEUS E FACTOS



Quando escrevi o post “Museus – reclamações mais habituais”, foi com o intuito de alertar os responsáveis dos museus e o público em geral, para a realidade a que nunca se dá eco na comunicação.

É evidente que se dá mais relevância a uma greve, ou a um qualquer caso de mau atendimento, mas isso não consegue esconder os principais motivos de desagrado, ainda que muito desse desagrado não seja traduzido em reclamações no Livro Amarelo.

Um senhor com responsabilidades num museu, resolveu considerar que o post era ofensivo, e que denegria o seu trabalho enquanto técnico superior, e o dos seus colegas, que fazem tudo o que é possível com os meios que têm à disposição.

Claro que o senhor tem direito à sua opinião, tal como eu, mas não conseguiu negar nenhum dos pontos que eu, e o público, consideramos mais susceptíveis de reclamação. Já que se afirmou como responsável pelo pessoal de vigilância deixo-lhe duas questões, embora conheça as respostas:

- Quais as acções de formação que recomendou fossem ministradas aos vigilantes?
- Quanto tempo empregou a “ajudar” os seus subordinados a desempenhar as suas funções com maior eficiência?

Não tenho qualquer vontade de criticar por criticar, mas é por isso mesmo que acho que para resolver os problemas e encontrar as devidas soluções, é necessário envolver todos, independentemente das suas funções e categorias.